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domingo, 31 de março de 2019

Cada povo tem o governo que merece

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Ivonete Gomes
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"Sai vitorioso das urnas, o candidato que fala o que o povo quer e não o que precisa ouvir"
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Ferrenho defensor do regime monárquico e crítico fervoroso da Revolução Francesa, o filósofo francês Joseph-Marie Maistre (1753-1821) escreveu seu nome na história ao lançar a expressão “cada povo tem o governo que merece”. Datada de 1811, a frase registrada em carta, publicada 40 anos mais tarde, faz referência a ignorância popular, na visão do autor a responsável pela escolha dos maus representantes. Contrário a participação do povo nos processos políticos, Maistre acreditava que os desmandos de um governo cabiam como uma punição àqueles que tinham direito ao voto, mas não sabiam usá-lo. Passaram-se exatos duzentos anos e a expressão do francês permanece atemporal por estas bandas. 

No Brasil de democracia imatura e educação capenga, o voto ainda é definido pelo poder econômico e promessas bajuladoras totalmente descabidas feitas por candidatos visivelmente desinformados nas questões econômicas e sociais dos locais que pretendem governar. Por aqui se define voto também pela simpatia, crença, a boa oratória e o assistencialismo. Raros os que votam pela análise do passado, das relações interpessoais e do plano de governo fundamentado. O País que causou admiração no vocalista do U2 pela criação da Lei da Ficha Limpa, não tem punição para o político que, acometido do esquecimento conveniente, deixa de cumprir promessas e compromissos firmados com o eleitor. 

Sai vitorioso das urnas, o candidato que fala o que o povo quer e não o que precisa ouvir. Na eleição para Governo, os servidores públicos de Rondônia tiveram reavivada a esperança de salários reajustados com base nas perdas acumuladas ao longo de governos passados. Educadores, agentes penitenciários, policiais militares e as demais categorias foram às urnas na certeza de estar depositando lá o acréscimo de pelo menos 25% nos holerites, já em 2011. E o fizeram apoiados por sindicatos bem informados das questões financeiras da máquina estatal. Ora, como duvidar do então candidato Confúcio Moura (PMDB), avalizado pelos representantes das categorias nos palanques, reuniões e debates de televisão? Não era possível lançar mão de tão doce promessa que, para melhorar, vinha acompanhada da oportunidade de trocar um governo autoritário, perseguidor e truculento por um aberto ao diálogo e conhecedor das necessidades de quem trabalha pelo desenvolvimento.  Reside muitas vezes no desconhecimento da situação econômica do Estado, o perigo de um estelionato eleitoral que, se tipificado em lei, seria tão somente culposo. Ou seja, Confúcio poderia estar investido de boa vontade para dar o reajuste prometido, mas ao colocar a coroa e o cetro deparou-se com a triste realidade de que querer nem sempre é poder.

O Narciso do CQC

Um dos apresentadores do programa humorístico CQC, levado ao ar pela TV Band, sentiu-se altamente incomodado com a aparência física dos rondonienses e dedicou minutos de sua comédia stand up, gravada em DVD, a comentários altamente pejorativos aos nascidos aqui. Rafael Bastos, que tem como alcunha o diminutivo do próprio nome, disse que “se Deus é brasileiro ele sacaneou Rondônia”. Sob risos da platéia, Rafinha caprichou nos insultos:
- O pessoal lá é muito estranho.
- O diabo fala português? –  Ah, já sei em que estado ele nasceu. Deixou muitos filhos por lá, viu?
Um humor apelativo, arraigado de preconceito, constrange e provoca até certa náusea, mas patético mesmo  nesse episódio é perceber que Rafinha se acha bonito. Ô dó criança!

Interferência descabida

Eis que do nada, deputados estaduais iniciaram uma onda insana de interferência nas indicações de Confúcio Moura para o primeiro escalão do Governo. Até o deputado estadual Jean de Oliveira (PSDB) usou a tribuna para repudiar a indicação de Williames Pimentel na Secretaria de Estado da Saúde. Pasma a rapidez com que o parlamentar mudou de opinião, já que quando vereador de Porto Velho jamais levantou a voz contra a administração municipal da qual Pimentel participa há anos. Outros deputados fizeram discursos apaixonados com menções à moralidade e a Lei da Ficha Limpa. Lembrei de pelo menos dois ditados populares que falam de hábitos dos macacos.  

David Erse, o estudioso

Empolgado e envaidecido durante a solenidade que o empossou deputado estadual, David Chiquilito Erse fez discurso longo, cansativo e presunçoso. Criticou veículos de comunicação que analisavam a possível interrupção de sua carreira na Assembléia Legislativa com a recontagem de votos pós-decisão da não aplicabilidade da Lei da Ficha Limpa nas eleições de 2010. “Seguirei deputado. Falo isso porque tenho certeza. Eu estudei”- disse o jovem político. Agora, sem mandato, David terá tempo para estudar um pouquinho mais.


segunda-feira, 25 de março de 2019



                                           


    PEQUENAS  TRAGÉDIAS

                                                                                                           AUTOR DESCONHECIDO





Quem se lembra das pequenas tragédias de antigamente?
Quando as fichas acabavam no meio da ligação feita do orelhão. Ou o disco riscava bem na melhor música.
Você datilografava com erro a última palavra da página. E não tinha fita corretiva de máquina de escrever pra consertar.
O locutor falava as horas ou soltava uma vinheta bem no meio da música que você tinha passado horas esperando pra gravar. E depois o toca-fitas mastigava a fita.
Ou o locutor não falava o nome da música quando ela terminava. E você ficava anos sem saber quem cantava ou como chamava aquela música que você tinha amado.
Alguém fumava dentro do ônibus. Ou do avião. Ou do elevador.
Você tinha que pagar multa por devolver a fita de vídeo pra locadora sem rebobinar.
O Ki-suco vazava da garrafinha da sua lancheira. E molhava as bisnaguinhas com patê.
Você tirava as letras das músicas em inglês tudo errado. E depois descobria, no folheto da Fisk, que estava tudo errado mesmo. Mas já era tarde, pois você já tinha decorado errado (e canta errado até hoje).
Você arranhava com todo cuidado, mas quando levantava o papel via que o bichinho do decalque do Ploc tinha saído sem uma perninha.
A televisão resolvia sair do ar no dia do capítulo final da novela. E seu pai tinha que subir no telhado pra mexer na antena. E ele gritava lá de cima “melhorou?”
E você, embaixo, avisava: “melhorou o 5, o 7 e o 9. Piorou o 4, o 11 e o 13”.
E nunca todos os canais ficavam bons ao mesmo tempo.
Chegar à padaria e lembrar que você tinha esquecido o casco do refrigerante.
A Kombi que trocava garrafas velhas por picolés e pintinhos passava na sua rua um dia depois da sua mãe jogar tudo fora.
Você descobria que todas as 36 fotos do seu aniversário tinham ficado desfocadas. E algumas tinham queimado, porque o rebobinador da câmera tava meio enguiçado.
Quando sobrava só o lápis branco da caixa de 36.
E você pensava que ia morrer porque engoliu uma bala Soft.
Nossa vida era assim. E nem faz tanto tempo, mas nossos filhos nem têm ideia do que significa tudo isso.


sábado, 17 de novembro de 2018

"Negro: ser ou não ser, eis a questão"

 






 A não muitos dias, me encararam com a seguinte questão: "Você se considera negro, explique. Eu, fulano, me considero negro, porém, na minha certidão de nascimento está escrito pardo (a). Eu não sou pardo, pardo é a cor do papel".
Fiz a seguinte analise a respeito, e cheguei a um fato não conclusivo a respeito de quase todos os brancos: perante os não negros, sentir pena de negros é mais que uma obrigação.
Mas, primeiramente, vou responder a pergunta.
Sim, me considero negra, mas acho que isso, deveria ser uma questão de escolha, por mais incrível que pareça, sim, uma escolha. Até porque se eu tiver a pele escura e alguém do IBGE bater na minha porta e eu disser que sou branca, é isso que eles terão de escrever.
Acho que a escolha é sua, você escolha se é negro ou é branco, mas toda a sociedade faz essa questão ter um peso imensurável, fazendo ficar muito mais difícil do que realmente é. Se você é negro, sempre será rotulado, seguido em uma loja, parado por parecer suspeito, sempre será desmoralizado, desrespeitado, demonizado, sofrerá preconceito, e, além de tudo, não poderá reclamar de tal preconceito, se não, te chamarão de negro vitimista.
Agora vamos ao fato: perante os não negros, sentir pena de negros é mais que uma obrigação.
Percebi isso em todas as vezes que eu digo que sou negra, e as pessoas tentam me "corrigir" dizendo que sou "moreninha" "escurinha" e etc. Sinto uma enorme vontade de dizer que não sou morena coisa nenhuma, sou negra e não serão eles que me dirão o contrario, essa é uma escolha minha, não deles. Quando digo que sou negra e eles querem me corrigir dizendo que não sou, é como se eu dissesse "Eu mereço ser estuprada", e eles querem me convencer de que tal coisa é uma idiotice tremenda, e que eu sou uma morena como outra qualquer, com sentimentos e uma humanidade, como se sentissem pena de mim, e quisessem amenizar meu fado, ou me poupar da "maldição" ou fardo eterno que é ser negro.
Ser negro não é fácil, mas também não é impossível.
Os racistas impõem as dificuldades, mas os irmãos negros dão as mãos, pois todos juntos somos mais fortes que um só.
Tenham um bom ano meus manos!



fonte;http://prismabr.blogspot.com/2016/01/negro-ser-ou-nao-ser-eis-questao.html

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Feliz?

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Mario carregava ocultamente uma obsessão por Ana. Não era oculto o amor que sentia pela moça, nunca escondera de ninguém o sentimento que nutria por aquela que em outrora era sua amiga, e que foi se afastando pela vontade doentia dele se tornar seu companheiro para a vida toda. Ana se afastou. Mas vez ou outra Mário a chamava no WhatsApp sempre com a mesma pergunta: “Feliz? ”. Por mais que não estivesse bem, Ana afirmava que estava bem e feliz. Estava planejando casar-se com André, Mário não sabia, mas o simples fato de Ana e André estarem juntos incomodava Mário, que chegou a dizer e a repetir “você ainda vai ser minha, questão de tempo. Não tenho pressa”. “André não conseguirá te fazer tão feliz quanto eu”. Mas Ana amava André e não queria saber de ninguém além dele. Ana e André, entre idas e vindas se amavam e a obsessão de Mário começou a incomodar Ana de tal forma que lhe causava medo, “como ele sabia sobre as brigas do casal? Será que sentia? Ou de alguma forma descobria? “Não tinham amigos em comum. Não tinha como
Mario saber. E depois de uma briga com André, Ana resolveu encerrar os contatos totalmente com aquele que considerou um dia amigo. Além do medo, Ana começou a perceber que após as brigas com o então namorado, Mário arrumava formas de aparecer com a tal pergunta “feliz? ”, sem cerimônias, sem perguntar mais nada. Ana, cansada, explode com Mário - ela havia acabado de ter uma briga com o namorado e lá estava Mário, estranhamente, novamente depois de mais uma briga para se certificar que Ana ainda estava feliz. Ela já havia dito outras vezes, mas com delicadeza, que o fato de ele aparentemente torcer pela infelicidade do casal a incomodava. Por várias vezes ela pediu que ele se afastasse e a deixasse viver a vida que escolherá, mas Mário não aceitava. Mas desta vez ela foi mais fundo, mais clara e objetiva. Mário, com um sorriso no rosto, mas com os olhos num misto de raiva e tristeza disse que queria que o casal fosse feliz, que não ia incomodar mais..., mas que ela ainda seria dele, custasse o que custar. Ele era o Mário, moço bem-sucedido, que poderia dar tudo que Ana quisesse. Mas não era o que Ana queria. Ele deu de ombros, visivelmente transtornado. Naquela noite prometeu que nunca mais iria atrás de Ana e que assim como ela, arrumaria uma forma de seguir a vida, arrumaria outra pessoa. Semanas se passaram e coincidentemente depois de uma briga que ocasionou no término entre Ana e André, por causa de ciúmes dela, reaparece Mário, ligando de um número desconhecido e com a pergunta de sempre: “- Olá querida! Feliz? ”



escrito por Jeane Dixon

quarta-feira, 20 de junho de 2018

A Assassina paciente





Nem parecia uma menina, quem a via achava que era um anjinho que já com seus 10 anos de idade já encantava o distrito de Roça Grande.
 Todos apostavam que ela seria a mulher mais bonita de Sabará.
 Olhos castanhos escuros, um belo desenho de lábios, dentes alvos e brilhantes, era a beleza em pessoa.
 No colégio ganhava todo concurso de beleza. Era rainha da primavera, rainha da jabuticaba, rainha da rua e ainda de muitos corações.  Aninha era dez!
 A tua beleza chamou atenção de muitos moradores de Sabará. Começou a frequentar o Clube cravo vermelho, mesmo sendo de etnia negra era bem recebida no meio social de Sabará e isto era um tabu por que antes dizia que no Cravo Vermelho negro não entrava.
 Neste Convívio com a sociedade de Sabará, Aninha ficou conhecendo Cláudio um rapaz loiro de olhos azuis, atleta, jogador do Esporte Clube Siderúrgica Sabará que logo se apaixonou pela morena de Roça Grande.
  Cláudio chamou atenção da comunidade de Roça Grande com seu estilo e delicadeza com a Aninha. Mas dentro dele ardia um ciúme exagerado, não suportava ver a sua amada conversando com outro homem, seja colega de escola ou então da Igreja Católica de Roça Grande ficava furioso e para não demonstrar esse sentimento ia para casa de seu sogro seu Tião esperar sua amada.
Demonstrava neste momento o quanto era ciumento, xingava, brigava, mas depois pedia perdão e assim foram levando durante 4 anos esse namoro.
O time do siderúrgica de Sabará havia sagrado campeão Mineiro de futebol.
 Cláudio, zagueiro time Campeão em meio à euforia, convidou seus colegas de equipe para o seu noivado na semana seguinte. Foi com surpresa que a família de Aninha recebeu a boa notícia. Até que enfim o seu Tião casaria a sua filha primogênita.
 O casamento de Aninha e Cláudio foi o acontecimento do ano em Roça Grande. Toda a comunidade foi convidada para a cerimônia. A dona Alcina, costureira, ficou semanas e semanas atarefada na Confecção de roupas dos convidados, os homens do Bairro mandaram fazer seus ternos de tecidos de casimira e   tergal na alfaiataria do Carlos Alemão.
 Escolheram o dia 10 de maio para o casamento pois o mês é consagrado as Noivas.
Chegou o grande dia!
A Igreja de Santo António da Roça Grande já era pequenina ficou mais pequena ainda pois todos os seus quatro mil habitantes estavam presentes a grande cerimônia. A família de Cláudio veio em carro de luxo no Aero   de 1960 todo branco combinando com a sua vestimenta que destacava do povo humilde e simples do bairro. O padre que faria o casamento seria o bom e sistemático Padre Luiz Capelão da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais. Tudo ocorreu normalmente, a festa foi no sítio do folclórico senhor Josias.
Para comemorar o fato Tião mandou matar um boi e quatro porcos Além de muitas bebidas artesanais. Os nubentes Ana e Claudio foram morar no alto da Rua São João aqui mesmo em Roça Grande, lugar aprazível com a casinha branca do jeito que Aninha sempre sonhou.
 Tudo corria a mil maravilhas, casal recém-casado, um céu lindo, decorava a abóbada celeste azul, pássaros cantavam na floresta ao lado.  Tudo era paz, tudo era felicidade para Aninha. Mas de repente Cláudio mudou a expressão do seu olhar e ordenou a Aninha que não queria vê-la na casa de amigos e muito menos na casa de sua prima Sandra. Ao questiona-lo o porquê, Cláudio se irritou e na lua de mel ao invés de beijos e abraços Aninha recebeu um tapa no rosto.
 Possesso, Cláudio intimou:
_ aqui quem manda sou eu! Não quero! Acabou! De hoje em diante quem dá as cartas aqui sou eu e você está proibida de descer lá embaixo e ficar com esse povo sujo de Roça Grande. Me obedeça à mulher.
 Você é minha mulher, cuida de mim e eu te protejo.
 Aninha ainda questionou:
_Amor por que isso? Você é tão carinhoso comigo!
_ A farsa acabou! Casei com você porquê tinha interesse.
Você é meu troféu, a mulher mais bonita de Sabará e como Troféu ficará para sempre no meu coração trancado.
 Não acredito... Balbuciou Aninha. Se não fosse esse tapa que me deste com certeza levaria na brincadeira o que me disseste.
O tempo passava e para Aninha a sua vida virou um inferno. Não tinha paz nem para dormir, sua vida era vigiada 24 horas.
 Cláudio chegava do jogo e sempre encontrava a casa arrumada, comida feita e o carinho da sua mulher amada.
 Aninha não tinha direito nem de ir à missa, visitar seus familiares nem pensar.
 A cada dia que passava ela tinha que manter aparência que era feliz e que Cláudio era o marido que sempre sonhara.
 Por sua vez, Cláudio mantinha aparência de um grande marido, um bom chefe de família e o cara amigável, mas no fundo somente Aninha sabia o quanto cruel era esse homem.
 Certo dia, andando pela Rua São João, Aninha encontrou com um velho conhecido, colega de escola e muito amigo da família. Por um momento ela se sentiu confortável com a presença do amigo e depois de tanto tempo ela conseguiu sorrir.
Cláudio regressava para casa vindo do Siderúrgica, quando vislumbra sua esposa conversando com o seu colega e sem dizer palavras nenhuma agrediu sua esposa e o amigo.  Sangrando muito o rapaz fugiu, enquanto Ana estática, fitava seu marido. A vizinhança espantada a tudo via e ouvia.
 Cláudio gritava feito louco e agredia a pobre mulher.
 Chegando em casa obrigou a tirar toda a roupa do seu corpo na ânsia te encontrar a marca de um pecado que só existia na sua mente doentia.
 Aninha Sofria calada. Estava isolada do mundo não tinha amigo, não podia se abrir com sua mãe. Não podia receber visita, seu mundo era sua casa e seu marido cruel;
Aquele sorriso angelical já não existia mais, a sua fisionomia era de cansaço e sofrimento.
 Já se passavam três meses que havia se casado quando algo inusitado aconteceu:
Ao colocar a roupa do seu marido vai para lavar encontrou uma singela cartinha de amor.
Alguém amava o teu marido pelo jeito ele correspondia.
Estava explicado o motivo porque ele não a deixava sair de casa. Aquele ciúme todo agora tinha uma razão de ser: Cláudio tinha um amante.
 Pressionado pela mulher ele não se fez de rogado e confirmou sim dizendo que se ela quisesse poderia ir embora, mas deixou bem claro que outro homem não iria entrar na vida dela.
 Dito isso, Aninha Passou por mais uma sessão de espancamento e foi parar na Santa Casa de Misericórdia Sabará.
 Aninha passou uma semana internada em virtude da surra que tomou.
Como era de família bem conhecida em Sabará o Episódio foi encoberto ficando restrito somente a família dos envolvidos. Cláudio se acha o rei podendo fazer e acontecer. O pai amigo, do delegado, a mãe madrinha da promotora e tudo ficou por debaixo dos panos.
Aninha cansada de sofrer resolveu dar o troco de um jeito muito peculiar.
 Passou a não questionar mais teu marido, suas roupas eram bem lavadas bem tratada e cheirosa a comida Era do jeito que ele gostava e ela como esposa passou a ser mais uma Amélia. Aninha agora para Cláudio era mulher de verdade.
Anos se passaram. Cláudio abandonou futebol e agora era simplesmente um advogado trabalhando com pai que era reconhecidamente o melhor causídico da região.
 A sua sofrida mulher havia lhe dado três rebentos: duas meninas e um menino.
Como obediente, Aninha se entregou a tua família, como um cachorrinho manso, ela tinha casa comida e lambia a mão de seu dono, era tudo que ele queria.
Os sonhos de um casamento feliz, ter uma família feliz e temente a Deus, ficara para trás. Aninha seria uma mulher sem perspectiva sem sonhos, viveria para servir o seu marido, o seu amo...aquele maldito!
A tua família era mais importante que tudo.
  Aquele olhar de felicidade que    demonstrava ter na adolescência, toda a felicidade que aspirava   foi-se naquele dez de maio, quando se iludiu por um cruel príncipe.
Mas agora do alto de seus trinta anos. O que ela queria mais era viver...ironia, tanto sonhou com uma vida de felicidade e agora era subjugada pelo simples desejo de viver.

A vida transcorria normalmente, Claudio prosperava, era considerado o melhor advogado da região, mas uma dor de estomago o incomodava.
Havia dois anos que aquela dorzinha o incomodava e não tivera tempo de fazer um check-up detalhado de sua saúde.
Com relação a família, tudo ia bem, Aninha cuidava bem dele e de seus filhos. Ela por fim aceitara as regras do jogo e vivia somente para a sua família, nem no velório do seu pai, ela se dispôs a ir, Bruno, seu filho caçula, jura que a viu chorando pelos cantos da sala.
Aninha, ou seja, Ana villafortes, mudara se era para o bem ou para o mal, só o tempo poderia responder.
Claudio villafortes ampliava seu empreendimento, tinha como cliente nada mais nada menos do que o governador de Minas gerais e uma famosa senadora, mas a sua saúde estava combalida.
Aconselhado por amigos, foi se consultar com um famoso gastroenterologista que alarmado lhe deu a péssima notícia:
- O senhor tem um câncer no estômago!
Foi um choque que derrubou o gigante Claudio, o imbatível advogado, o opressor chefe de família.
O mundo desabara para ele.
Seus colegas de profissão sabendo disso comemoraram como uma conquista de uma copa do mundo de futebol.
Perderá a vontade de trabalhar, tirara férias e visivelmente abatido recusava sair de casa
Tudo mudou. Até a sua indiferente esposa começara a lhe perturbar. Ele que deste que casou nunca a virar sorrir ou cantarolar, agora ele descobrira que ela vivia.
A mulher que tanto maltratara agora tinha no olhar um brilho opaco de amargura e vingança.
Sua refeição era servida por uma enfermeira e nunca por Ana villafortes. Ela não se dignificava nem ao menos perguntar se ele estava se sentindo bem, estava jogado num quarto sombrio esquecido pelo mundo.
Mandou chamar sua esposa.
Ana villafortes acedeu ao convite e entrou naquele quarto que outrora sonhara ser a capital dos seus prazeres e que foi na verdade seu ades matrimonial.
Ana aproximou do leito do enfermo e o que viu a deixou combalida. O outrora homem forte de Sabará, jazia numa bela cama, ostentando s seu corpo esquelético cheio de feridas e cheirando mal. Triste contradição da vida humana.
Aninha-balbuciou o enfermo.
Perdoe me por tudo
-Não se preocupe! Isso é passado
-Estou morrendo!
-Eu sei!
Como sabe? Médicos lhe contaram?
- Não eu tive a paciência de ministrar durante anos uma gota de veneno na refeição de quem arrasou meus sonhos, minha vida. Jurei vingança e nestes dez anos você consumiu uma gota de arsênio nas refeições. Uma gota derrubou o gigante da prepotência, egocentrismo da maldade e da opressão. Você está indo, mas não ficaria feliz se não te contasse.

Durante quatro mil trezentos e oitenta dias tive a paciência de colocar uma gota de arsênio no teu chá, no teu suco, no teu café. Imagino que buraco está seu estomago. Este será nosso segredo. A mulher que você tanto oprimiu, finalmente te destruiu.
Claudio de olhos esbugalhados ouvia e não acreditava. Tentou falar e uma golfada de sangue lhe sufocou. Agitou em espasmou e ficou quieto para sempre.





terça-feira, 29 de maio de 2018

Como disenteria que acometeu reis mudou o rumo da história britânica


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Por Greig WatsonDa BBC News
·         23 outubro 2016
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Faz 800 anos que um dos mais criticados monarcas da Inglaterra, o rei João, morreu de disenteria. A BBC News fez um levantamento de como essa desagradável doença tirou a vida de diversos reis ingleses, mudando o curso da história.
Seu caótico e desastroso reinado acabou em um banheiro - ou o que quer que servisse a esse propósito no castelo Newark em outubro de 1216.
Ao tirar a vida do rei, a disenteria (uma diarreia tão violenta que causa sangramento e morte) pode ter mudado de maneira espetacular o curso da história inglesa.
"Ele foi um completo idiota", diz Marc Morris, autor do livro King John: Treachery, Tyranny and the Road to Magna Carta (Rei João: Traição, Tirania e o Caminho para a Magna Carta).
"Muitas pessoas pensam na Europa medieval como um lugar onde as coisas acontecem como (no seriado de TV) Game of Thrones. Mas havia regras, especialmente sobre como os nobres deveriam ser tratados. O rei João quebrou esses tabus. Era considerado por seus contemporâneos como cruel e covarde."
"Ele não apenas matou, ele foi sádico. Ele assassinou pessoas usando a fome. E não apenas cavaleiros inimigos, mas certa vez a mulher e o filho de um rival."
Ele perdeu fatias de território na França e depois tentou reavê-las aumentando impostos para financiar suas tentativas fracassadas de retomá-las
O monarca também ganhou a reputação de predador sexual das mulheres e filhas dos nobres e de tratar abusivamente aliados e rivais. Tudo isso irritou a elite.
Ele irritou tanto o papa Inocêncio III que o pontífice o excomungou e ordenou o fechamento de igrejas na Inglaterra.
Esse cenário levou o país a uma guerra civil e, posteriormente, ao estabelecimento da Magna Carta e ao oferecimento do trono ao príncipe Luís, da França.
Mas enquanto lutava, João ficou fraco e doente. Viajando pela região central da Inglaterra, ele parou em Newark e logo depois morreu.
Rumores atribuem sua morte a comer pêssegos verdes, beber muita cerveja ou ter sido intoxicado com o veneno de um sapo.
Iona McCleery, especialista em medicina medieval da Universidade de Leeds afirma: "Dizer que João morreu devido a excessos é uma forma de criticar sua personalidade. Isso implica destemperança, gula e imprudência."
"Dizer que ele foi envenenado mostra que ele era odiado. Qualquer que seja a verdade, aqueles que escreveram a história não tinham nada de bom a dizer sobre João".
A disenteria é causada por parasitas, mas é facilmente confundida com infecções virais e bacterianas. É mais comumente causada por água contaminada com dejetos humanos.
"A disenteria não era necessariamente uma doença de plebeus. Muitas hortaliças eram cultivadas em solo adubado com dejetos humanos", diz McCleery.
"João estava em uma marcha, lutando uma guerra, sob uma grande tensão. Ele estava provavelmente exausto física e emocionalmente, e as condições de vida durante uma marcha são primitivas, não importa quem você seja."
Depois da morte de João, a guerra civil terminou, e o príncipe Luís, da França, foi expulso da Inglaterra. A estabilidade retornou e a Magna Carta se consolidou.
Mas a disenteria ainda faria parte do destino de outros reis ingleses.
Eduardo I, também conhecido como Longshanks ou "martelo da Escócia" (por ter liderado campanhas contra a nação vizinha), morreu enquanto se dirigia para iniciar uma nova guerra contra o rei da Escócia, Robert the Bruce, em 1307. Seu filho, Eduardo II, perdeu as batalhas seguintes e a Escócia manteve sua independência.
A disenteria também matou Henrique V, herói de Agincourt, durante uma campanha militar na França em 1422. Henrique VI se tornou rei aos nove meses de idade. Adulto, ele se provou pouco apto para reinar na violenta Idade Média. A França foi perdida e rebeliões deram início à Guerra das Rosas, que dividiu a Inglaterra até 1485.
Mas a morte de João pode ter sido o maior impacto da disenteria na história do país. Marc Morris afirmou: "Muitos reis do passado podem ser considerados cruéis pelos padrões atuais, mas João era cruel, covarde e um fracassado. Mas ao morrer naquele momento significou que a Magna Carta, que ele havia (assinado e depois) rejeitado, pôde ser reinstituída".
Ao declarar que o soberano também devia se submeter às leis e documentar as liberdades dos "homens livres", a Magna Carta foi o fundamento dos direitos individuais na jurisprudência europeia e americana.
E mesmo que pareça uma doença do passado, a disenteria ainda é uma grande causa de mortes em países em desenvolvimento. A Organização Mundial da Saúde estima que cerca de 900 mil pessoas morram por disenteria ou por doenças semelhantes todos os anos. A maioria das vítimas são crianças pequenas.
FONTE:http://www.bbc.com/portuguese/geral-37736241 


sexta-feira, 16 de março de 2018

O BRANQUEAMENTO DA POPULAÇÃO BRASILEIRA E A DEMOCRACIA RACIAL DESDE MEADOS DO SECULO XIX ATÉ OS DIAS ATUAIS.

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Trabalho apresentado ao Curso HISTÓRIA  da UNOPAR –
Universidade Norte do Paraná, para a disciplina






                   
Professora: Aline Vanessa Locastre








terça-feira, 24 de outubro de 2017

A historia do Hospital Cristiano Machado

A vinte anos atrás quando comecei a estudar a história do bairro de Roça Grande, encontrei na via pública uma fita VHS. Curioso, a peguei e levei para casa sem saber que ela continha um dos maiores tesouros já registrados por um grupo de funcionários do Hospital Cristiano Machado. Esse documentário é um acervo que guardo com carinho, mas por amor a história, resolvi compartilhar. É verdadeiramente a interação entre o Estado e a comunidade local, passando por paisagens dos anos 80 e 90, onde com nostalgia relembraremos pessoas que muito fizeram por nosso bairro. Esta série será apresentada em dois episódios.

quinta-feira, 16 de março de 2017

PELC -A gente vai levando

O projeto P.EL.C  é um evento que pretende levar aos jovens a magia do esporte e lazer. Faz parte de minha vida pois esta na terrinha que amo e faço tudo para que ele estabeleça de vez.