bem vindo

segunda-feira, 25 de julho de 2016

A lenda da Mãe do Ouro

Mãe-de-Ouro



A Mãe-do-Ouro é uma personagem do folclore brasileiro, muito popular no interior das regiões Sudeste e Nordeste do Brasil.
Possui a aparência de uma linda mulher,com cabelos comprido dourados que reflete a luz do Sol. Aparece sempre trajada de um longo vestido de seda branco. Em algumas regiões, a Mãe-de-ouro é também representada por uma bola de fogo que tem a capacidade de se transformar nesta linda mulher.De acordo com a lenda, a Mãe-de-Ouro tem a capacidade de voar pelos ares, indicando locais onde existem jazidas e ouro. Dizem que em noites escuras e sem estrelas, aquela bola incandescente faz a curva no céu caindo sobre o morro, indicando que ali há tesouro enterrado. 
Diziam ser ela a guardiã dos tesouros da terra, das montanhas e dos rios. Ela está sempre perto do ouro e é vista à noite, porque brilha com a mesma beleza dourada de seu filho. Se alguém aproximar muito, ela desaparece, reaparecendo, em seguida, noutro lugar. Dizem que muitas lavras foram descobertas por causa de sua presença. Costuma aparecer à noite, depois de 19 horas, como uma luz dourada com a cauda luminosa. Aqueles poucos mortais que puderam vê-la mais de perto dizem ser uma mulher muito bonita, coberta de ouro, tendo os cabelos cheios de bichos. É crença geral que, quem conseguir limpar seus cabelos, ficará muito rico.
Há também versões de que a Mãe-de-ouro atue como uma defensora das mulheres que são maltratadas pelos maridos. De acordo com a lenda, a Mãe-de-ouro atrairia homens casados para uma caverna, libertando assim as esposas destes maridos e colocando no caminho delas homens bons.

sábado, 2 de julho de 2016

curiosidades sobre a escravidão

Dia 13 de maio se comemora a abolição da escravidão no Brasil. O fato ocorreu em 1888, através da assinatura da famosa Lei Áurea, pelas mãos da princesa Isabel. De lá para cá, este fato gera divisões entre aqueles que comemoram a libertação dos escravos e aqueles que acham que a lei áurea não incorporou o negro na sociedade brasileira, mantendo as desigualdades. Sobre este fato, discutiremos em outra postagem. Nesta, vamos apontar 25 curiosidades sobre a escravidão no Brasil.
Atenção: nós compreendemos que o assunto postado abaixo é delicado e suscita os mais diversos sentimentos em diferentes segmentos da população brasileira. O objetivo não é idealizar o assunto ou torná-lo caricato, apenas abordar os fatos. Optamos, também, por utilizar o termo negro ao termo afro-brasileiro, mais utilizado atualmente.
Esta lista foi extraída e adaptada de diferentes fontes, como mania de história e guia dos curiosos.



– Os primeiros navios negreiros foram trazidos pelo português Martim Afonso de Sousa, em 1532. A contabilidade oficial estima que, entre essa data e 1850, algo como 5 milhões de escravos negros entraram no Brasil. Porém, alguns historiadores calculam que pode ter sido o dobro.
– Os navios negreiros que traziam os escravos da África até o Brasil eram chamados de tumbeiros, devido à morte de milhares de africanos durante a travessia. Estas mortes ocorriam devido aos maus-tratos sofridos pelos escravos, pelas más condições de higiene e por doenças causas pela falta de vitaminas, como no caso do escorbuto.
– É possível traçar a origem dos escravos em três grandes grupos: os da região do atual Sudão, em que os iorubás, também chamados nagôs, predominam; os que vieram das tribos do norte da Nigéria, a maioria muçulmanos, chamados de malês ou alufás; e o grupo dos bantos, capturados nas colônias portuguesas de Angola e Moçambique.
– Quando chegava ao Brasil, o africano era chamado de “peça” e vendido em leilões públicos, como uma boa mercadoria: lustravam seus dentes, raspavam os seus cabelos, aplicavam óleos para esconder doenças do corpo e fazer a pele brilhar, assim como eram engordados para garantir um bom preço.
– Um escravo valia mais quando era homem e adulto. Um escravo era considerado adulto quando tinha entre 12 e 30 anos. Eles trabalhavam em média das 6 horas da manhã às 10 da noite, quase sem descanso, e amadureciam muito rápido. Com 35 anos, já tinham cabelos brancos e bocas desdentadas.

– Os cativos recebiam, uma vez por dia, apenas um caldo ralo de feijão. Para enriquecer um pouco a mistura, eles aproveitavam as partes do porco que os senhores desprezavam: língua, rabo, pés e orelhas. Foi assim que, de acordo com a tradição, surgiu a feijoada.
– A Festa de Nossa Senhora do Rosário, a padroeira dos escravos do Brasil colonial, foi realizada pela primeira vez em Olinda (PE), no ano de 1645. A santa já era cultuada na África, levada pelos portugueses como forma de cristianizar os negros. Eles eram batizados quando saíam da África ou quando chegavam ao Brasil.
– Na cidade de Serro (MG), acontece a maior de todas as festas em homenagem a santa, em julho, desde 1720. De acordo com a lenda, um dia Nossa Senhora do Rosário saiu do mar. Ao ser chamada por índios, não se mexeu. O mesmo aconteceu com marinheiros brancos. A santa só atendeu aos escravos, que tocaram bem forte os seus tambores.
– Crianças brancas e negras andavam nuas e brincavam até os 5 ou 6 anos anos de idade. Tinham os mesmos jogos, baseados em personagens fantásticos do folclore africano. Mas aos 7 anos, a criança negra enfrentava sua condição e precisava começar a trabalhar.
– Cada senhor de engenho tinha autorização para importar 120 escravos por ano da África. E havia uma lei que estipulava em 50 o número máximo de chibatadas que um escravo podia levar por dia.

– A cozinha era muito valorizada na casa-grande. Conquistaram o gosto dos europeus e brasileiros os pratos de origem africana, como vatapá e caruru, comuns na mesa patriarcal nordestina. A cozinha ficava num anexo da casa, separada dos cômodos principais por depósitos ou áreas internas.
– Normalmente, divisões internas da senzala separavam homens e mulheres. Mas, algumas vezes, era permitido aos poucos casais aceitos pelo senhor morarem em barracos separados, de pau-a-pique, cobertos com folhas de bananeira.
– Aos domingos, os escravos tinham direito de cultivar mandioca e hortaliças para consumo próprio. Podiam, inclusive, vender o excedente na cidade. A medida combatia a fome do campo, pois a monocultura de exportação não dava espaço a produtos de subsistência.
– Quando a noite caia, o som dos batuques e dos passos de dança dominava a senzala. As festas e outras manifestações culturais eram admitidas, pois a maioria dos senhores acreditava que isso diminuia as chances de revolta.
– Com a expansão das cidades, multiplicam-se escravos urbanos em ofícios especializados, como pedreiros, vendedores de galinhas, barbeiros e rendeiras. Os carregadores zanzam de um lado a outro, levando baús, barris, móveis e, claro, brancos.
– Escravos de Ganho eram escravos que tinha permissão de vender ou prestar serviços na rua. Em troca, ele deveria dar uma porcentagem dos ganhos a seu dono.
– Em algumas regiões, os escravos africanos eram divididos em três categorias: o “boçal”, que recusava falar o português, resistindo à cultura européia; o “ladino”, que falava o português; e o “crioulo”, o escravo que nascia no Brasil. Geralmente, ladinos e crioulos recebiam melhor tratamento, trabalhos mais brandos e perspectiva de ascensão social.
– Os negros nunca tiveram uma atitude passiva diante da escravidão. Muitos quebravam ferramentas de trabalho e colocavam fogo nas senzalas. Outros cometiam suicídio, muitas vezes comendo terra. Outros, ainda, entregavam-se ao banzo, grande tristeza que podia levar à morte por inanição. A forma comum de rebeldia, no entanto, era a fuga.
– Segundo alguns historiadores, a capoeira nasceu de um ritual angolano chamado n’golo (dança da zebra), uma competição que os rapazes das aldeias faziam para ver quem ficaria com a moça que atingisse a idade para casar. Com o tempo, a prática se transformou em exibição de habilidade e destreza.
– A palavra capoeira não é de origem africana. Ela vem do tupi (kapu’era). Trazida para o Brasil por intermédio dos navios negreiros, a capoeira foi desenvolvida nos quilombos pernambucanos do século XVI. As características de luta e dança adquiridas no país podem classificá-la como uma manifestação cultural genuinamente brasileira.


– O berimbau é um instrumento de percussão trazido da África (mbirimbau). Ele só entrou na história da capoeira no século XX. Antes, o instrumento era usado pelos vendedores ambulantes para atrair os clientes. O arco vem do caule de um arbusto chamado biriba, comum no Nordeste, que é fácil de envergar.
– Até a abolição da escravatura, a lei punia os praticantes de capoeira com penas de até 300 açoites e o calabouço. De 1889 a 1937, a capoeira era crime previsto pelo Código Penal. Uma simples demonstração dava seis meses de cadeia. Em 1937, o presidente Getúlio Vargas foi ver uma exibição, gostou e acabou com a proibição.
– Após a independência de Portugal, em 1822, uma das primeiras medidas do governo foi proibir que alunos negros freqüentassem as mesmas escolas que os brancos. Um dos motivos apontados é que temiam eles pudessem transmitir doenças contagiosas.
– O movimento abolicionista tinha mais de 60 anos quando a Lei Áurea foi assinada, em 1888. Mobilizava muitos intelectuais da época, como escritores, políticos, juristas, e também a população de uma forma geral.
– Em 1823, dom Pedro I chegou a redigir um documento defendendo o fim da escravidão no Brasil, mas a libertação só ocorreu 65 anos depois.


fonte: http://www.historiadigital.org/curiosidades/25-curiosidades-sobre-a-escravidao/  

sexta-feira, 24 de junho de 2016

10 fatos que você não sabia sobre a escravidão nas igrejas evangélicas no Brasil




1 – Anglicanos buscaram cristianizar os filhos dos escravizados

Na cidade do Rio de Janeiro encontrava-se um grupo de anglicanos da Christ Church. Os membros dessa igreja, em sua maioria bastante abastados financeiramente, eram donos de escravos. Estes anglicanos buscaram cristianizar os filhos dos escravos de seus membros, forçosamente batizando-os e dando-lhes nomes cristãos. Consta no livro de atas da Christ Church os seguintes relatos:

“Thereza, filha de Louisa – escrava negra, nativa de Manjoula, África – propriedade de James Thonton, um comerciante inglês”. Lê-se também: “Em 11 de maio de 1820 foram batizados 11 escravos do fazendeiro Robert Parker”. Fonte: Livro nº 1 de Registro de Batismo da Christ Church, p. 19/20. Doc. Christ Church. Rio de Janeiro.

Em outra igreja Anglicana, a que se reunia em Morro Velho, também se constata escravos pertencentes a membros. Há registros de batismos de escravos domésticos de John Alexander em 1830 e do Coronel Skerit em 1833. As cidades de Morro Velho e Passagem no estado de Minas Gerais eram locais de exploração a minas por uma empresa inglesa. Em torno dessas minas crescia uma colônia britânica numerosa, sempre visitada pelos bispos da igreja anglicana.

2 – Os primeiros evangélicos batistas no Brasil possuíam escravos

Os primeiros colonos batistas no Brasil possuíam escravos. Muitos vieram para o Brasil por causa das facilidades e similaridades escravagistas aqui encontradas. Crabtree fora um missionário batista enviado pela Junta Missionária de Richmond (Convenção do Sul). Em 1859 ele escreve à Junta avaliando aquilo que seria, para ele, muito tranquilizador para o envio de missionários americanos para o Brasil:

“o Brasil era como os Estados Unidos, tem escravos e os missionários enviados pela Convenção Batista do Sul não podiam sentir-se constrangidos a combater a escravatura e assim envolver-se na política do país”. Fonte CRABTREE, A.R. História dos Batistas do Brasil até 1906. Rio de Janeiro. Casa Publicadora Batista.1962, p.5

Muitos batistas em Santa Bárbara D’Oeste, em São Paulo, possuíam escravos para os trabalhos domésticos e, também, na lavoura. Rute Mathews, contando a história de Ana Bagby (missionária batista pioneira no Brasil), relata a história da Senhora Ellis, batista, senhora de escravos, e que hospedou os fundadores da Primeira Igreja Batista do Brasil, os missionários W. Bagby, em sua casa nos primeiros meses do casal no Brasil:

“Depois de dormir uma noite na Capital Paulista, os missionários tomaram o trem para Sta. Bárbara, onde chegaram sob forte aguaceiro. Na estação os aguardavam os enviados da Sra. Ellis, com dois cavalos e um escravo, para carregar a bagagem. A estrada até o sítio estava bem lamacenta, mas ao chegar, foram carinhosamente recebidos”. Fonte CRABTREE, A.R. História dos Batistas do Brasil até 1906. Rio de Janeiro. Casa Publicadora Batista.1962, p.5

3 – Evangélicos Ingleses eram proprietários de mais de 2 mil escravizados

O Rev. Boys era um capelão inglês da ilha britânica de Santa Helena, no meio do Atlântico Sul. Em 1819, ele foi obrigado a permanecer por um bom tempo no Rio de Janeiro, por causa de uma enfermidade de sua esposa. Sua carta informa que a cidade do Rio de Janeiro tinha naquela época 300 mil habitantes, 80 mil dos quais eram escravos. Ele continua:

“Aqui temos residindo um embaixador inglês, o sr. Thornton, e aproximadamente 1.500 negociantes ingleses mais os franceses, muitos dos quais sei que favorecem uma sociedade bíblica auxiliar. A maioria deles possui escravos, os quais, naturalmente, eles têm a obrigação de instruir, e não poderiam ser incomodados [por cumprirem essa obrigação]. Daí haver bastante oportunidade para o estabelecimento de uma escola para adultos em casa para o benefício deles próprios… E quanta utilidade isso teria aqui! Pois não devem existir menos de 2 mil escravos, propriedade de negociantes ingleses (eu os estimaria em 3 mil ou 4 mil), inteiramente às ordens de nossos compatriotas”. Fonte: REILY, História documental, p. 49.

4 – Os Metodistas tinha duas classes de escola dominical de escravizados

Spaulding foi o primeiro missionário metodista no Brasil; partindo de Nova York, chegou com sua família ao Rio de Janeiro em 29 de abril de 1836. Antes de completar um mês de estada no país, organizou a primeira escola dominical. Sua escola dominical tinha uma assistência de mais de quarenta crianças e jovens. Quanto aos escravos, ele diz:

“Temos duas classes de pretos, uma fala inglês, a outra português. Atualmente, parecem muito interessados e ansiosos por aprender…”. Fonte: REILY, História documental, p. 92

5 – Os crentes evangélicos compravam escravos nos leilões

No dia 10 de outubro de 1859, dois meses após desembarcar no Rio de Janeiro, Simonton escreveu em seu diário:

“Fui com o senhor H. a um leilão em que ele comprou dois negros. Outra vez estou no meio do horror da escravidão”. Fonte: SIMONTON, Ashbel G. O Diário de Simonton, 1852-1866. 2. ed. ampliada. São Paulo: Cultura Cristã, 2002, p. 11.  

Alguns dias antes (28/09), ele tivera uma discussão na qual contrariou certo Sr. “S.”, que o desapontara muito, pois esta pessoa era “absurdamente a favor” da escravidão. Simonton era nortista, logo, favorável à abolição, pois considerava a escravidão pecado e opressão. Apesar de sua opinião contrária à escravidão, Simonton se mostrou cauteloso quanto à exposição pública de suas ideias antiescravistas no Brasil. Três anotações em seu Diário, datada de 3 de janeiro de 1860 e 31 de dezembro de 1866, dão conta de que Simonton se utilizou do trabalho de escravos no Brasil, embora nunca os tenha possuído. Em 1860, quatro negros fizeram o transporte de sua mudança para a casa do Sr. Patterson. Em 1866, um negro chamado Quitano, alugado por Blackford, o ajudou na arrumação de sua nova casa. Depois, quando novamente se mudou de endereço, para a Rua dos Inválidos, uma escrava chamada Cecília trabalhou para ele por um tempo. Um dado interessante é que uma das últimas pessoas a orarem por ele junto ao seu leito de morte foi um negro, membro da igreja de São Paulo. Fonte FERREIRA, Júlio Andrade. História da Igreja Presbiteriana do Brasil. 2 vols. 2. ed. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1992, vol. 1, p. 84.  

6 – Missionários levavam escravizados em suas viagens de pregação do evangelho

Júlio Andrade Ferreira, ao narrar a chegada de John Boyle a Cajuru, interior de São Paulo, diz que ele se fazia acompanhar de um negro, que, cansado, queixou-se da longa viajem. Todavia, não faz qualquer alusão ao fato de esse negro ser um escravo, seu ou da missão, limitando-se a chamá-lo de “acompanhante”. Esse fato ocorreu entre 1882 e 1884, portanto, antes da abolição. Fonte: FERREIRA, História da Igreja Presbiteriana do Brasil, vol. 1, p. 251. A citação original vem de outro livro de sua autoria, Galeria evangélica, p. 95-97.

7 – Evangélicos luteranos alemães possuíam escravizados

Émile Léonard comenta em seu livro que nos estados do sul do Brasil, os alemães, em sua grande maioria protestantes, possuíam muito poucos escravos. Em São Leopoldo seu número era bastante reduzido e Hermann Blumenau não aceitava escravos na sua colônia. Porém, a razão para isso era mais econômica do que motivada por princípios cristãos, uma vez que os colonos eram muito pobres para possuir escravos. Por outro lado, Léonard afirma que nas regiões onde “os alemães foram submetidos a uma economia escravagista, eles se conformavam”. Um exemplo disso foi a colônia Leopoldina, no sul da Bahia. Ali se contavam em 1853 apenas 25 trabalhadores livres para 1.245 escravos, que garantiam sua sobrevivência sob um clima terrível. Fonte LÉONARD, O protestantismo brasileiro, p. 101, nota 81.

8 – Na Revolta dos Malês dos 160 acusados, 45 eram escravizados de evangélicos

Os súditos britânicos, membros da Saint Church, não só desobedeciam às ordens de S.M. Britânica ao participarem do rentável comércio negreiro que se fez na Bahia do século XIX, mas também eram proprietários de escravos que utilizavam como mão-de-obra doméstica ou em alguns empreendimentos de caráter manufatureiro que mantinham em Salvador. Em 1835, durante a revolta dos escravos malês, ocorrida em Salvador, dos 160 acusados, 45 eram escravos de ingleses residentes no bairro da Vitória. No sumário do juiz que condenou os líderes da insurreição escrava, fica evidente que as próprias lideranças do movimento eram propriedade de ingleses e se reuniam nos fundos de suas casas:

“capturei como cabeças e Chefes de Clubes que se a ajuntavão na casa do Inglez Abraham e de que anteriormente tinha dado parte ao excelentíssimo Presidente da Província os seguintes nagôs-Diogo-Daniel-Jaimes e João escravos de Abraham, cabeças do clube, sahirão e recolherão se pela manhã-Carlos e Thomaz-Cabeças do Clube, sahirão e recolherão se pela manhã ainda com as calças com sangue examinei não tinha ferida alguma no corpo, escravos de Frederico Robelliard, Cornelio escravo Preto rei Inglez apanhou recolhendo se para caza confessou ter hido com os outros era também do Clube, aceitara o evangelho”. Fonte: In. Anais do Arquivo Público do Estado da Bahia.Salvador.1992. Vol.50, p.59. 

9 – Os evangélicos ingleses possuíam escravizados como bens ou investimentos

Compulsando testamentos e inventários de anglicanos que morreram na Bahia na segunda metade do século XIX, também constatou-se a presença de proprietários de escravos, tais como os senhores Eduardo Jones que tinha 6 escravos domésticos; o Sr. George Mumford 17 que possuía 11 escravos que trabalhavam na sua roça no Acupe e Sr. George Blandy, que possuía 4 escravos. Os seus herdeiros, cidadãos britânicos, se recusaram a ficar com os escravos, pois “pela legislação inglesa não pode o suplicante (James P. Mee) possuir escravos, e pedia que reforme a sentença aquinhoando aqueles escravos ao herdeiro João Miranda Pinheiro da Cunha cazado com D. Joaquina Blandy Pinheiro da Cunha.

É interessante destacar que o herdeiro inglês não teve nenhum pejo de tratar os escravos como mais um bem na herança a ser dividida. Ao invés de alforriar os escravos dando-lhes liberdade, solicitou uma barganha financeira com um herdeiro brasileiro, que poderia ser proprietário de escravos. O seu pedido foi atendido pelo Juiz.  Fonte: Testamento n 07/3056/04. Arq. Público do Estado da Bahia;Testamento n 07/3048/02. Arq. Público do Estado da Bahia; Partilha Amigável n 01/114/171/17. Arq. Público do Estado da Bahia.

10 – Os evangélicos lucrava com a escravização de seus próprios filhos

Com um misto de surpresa e indignação, o Rev. Walsh a descrever episódios que demonstravam a desumanidade da escravidão vivido pelos escravos no Brasil, nada deixou mais chocado o clérigo do que constatar que seus concidadãos ingleses participavam e usufruíam do “nefando comércio,” lucrando com a escravização de mulheres e de seus próprios filhos, como presenciou na estrada da Tijuca, no Rio de Janeiro. 

Incrédulo diante do que viu e ouviu, o capelão não podia admitir que aquele homem inglês fosse o mesmo que partiu de sua terra natal, mas tratava-se de uma outra pessoa que, estando:

“em um país estrangeiro e entra em contato com a escravidão a sua natureza parece modificar-se, e ele passa a vender não só a mãe de seus filhos como os filhos propriamente ditos, e com tanta indiferença como se tratasse de uma porca com a sua ninhada.” Fonte: WALSH, p. 164.

Imagem: do filme 12 ANOS DE ESCRAVIDÃO que mostra o crente fervoroso, senhor de escravos,  afirmando que todo o sofrimento que os escravizados estavam passando era justificado pela Bíblia. O filme mostra ainda  o assédios  e estupros das escravizadas  pelo escravista e o ciúme doentio de sua esposa. A imagem mostra também a mulher negra escravizada da ilustração de kendy Joseph.

Por Hernani Francisco da Silva – Do Afrokut

Referências e Informações:
Visões Protestantes Sobre a Escravidão – Elizete da Silva – Revista de Estudos da Religião Nº 1 / 2003 / pp. 1-26
A Igreja Presbiteriana do Brasil e a escravidão: BREVE ANÁLISE DOCUMENTAL – Hélio de Oliveira Silva – FIDES REFORMATA XV, Nº 2 (2010): 43-66
LÉONARD, Émile G. – Protestantismo Brasileiro – Editora Juerp
O Protestantismo e escravidão no Brasil – Hernani Francisco da Silva



quinta-feira, 7 de abril de 2016

O DIA EM QUE EU MORRI…


Deborah Furtado • 24 de abril de 2014 •

Estranho? Nem tanto. Se depois de ler esse texto você achar que ainda está vivo, ótimo!

Caso contrário, é bom repensar se ainda existe algum sopro de vida aí dentro. Vou contar como tudo aconteceu.

.
A minha primeira parcela de morte aconteceu quando acreditei que existiam vidas mais importantes e preciosas do que a minha. O mais estranho é que eu chamava isso de humildade. Nunca pensei na possibilidade do auto abandono.
Morri mais um pouquinho no dia em que acreditei em vida ideal, estável, segura e confortável.
Passei a não saber lidar com as mudanças. Elas me aterrorizavam.
Depois vieram outras mortes. Recordo-me que comecei a perder gotículas de vida diária, desde que passei a consultar os meus medos ao invés do meu coração. Daí em diante comecei a agonizar mais rápido e a ser possuída por uma sucessão de pequenas mortes.
Morri no dia em que meus lábios disseram, não. Enquanto o meu coração gritava, sim! Morri no dia em que abandonei um projeto pela metade por pura falta de disciplina. Morri no dia em que me entreguei à preguiça. No dia em que decidir ser ignorante, bulímica, cruel, egoísta e desumana comigo mesma. Você pensa que não decide essas coisas? Lamento. Decide sim! Sempre que você troca uma vida saudável por vícios, gulodice, sedentarismo, drogas e alienação intelectual, emocional, espiritual, cultural ou financeira, você está fazendo uma escolha entre viver e morrer.
Morri no dia em que decidi ficar em um relacionamento ruim, apenas para não ficar só. Mais tarde percebi que troquei afeto por comodismo e amor por amargura. Morri outra vez, no dia em que abri mão dos meus sonhos por um suposto amor. Confundi relacionamento com posse e ciúme com zelo.

Morri no dia em que acreditei na crítica de pessoas cruéis. A pior delas? Eu mesma. Morri no dia em que me tornei escrava das minhas indecisões. No dia em que prestei mais atenção às minhas rugas do que aos meus sorrisos. Morri no dia que invejei , fofoquei e difamei. Sequer percebi o quanto havia me tornado uma vampira da felicidade alheia. Morri no dia que acreditei que preço era mais importante do que valor. Morri no dia em que me tornei competitiva e fiquei cega para a beleza da singularidade humana.
Morri no dia em que troquei o hoje pelo amanhã. Quer saber o mais estranho? O amanhã não chegou. Ficou vazio… Sem história, música ou cor. Não morri de causas naturais. Fui assassinada todos os dias. As razões desses abandonos foram uma sucessão de desculpas e equívocos. Mas ainda assim foram decisões.
O mais irônico de tudo isso?
As pessoas que vivem bem não tem medo da morte real.
As que vivem mal é que padecem desse sofrimento, embora já estejam mortas. É dessas que me despeço.
Assinado,

A Coragem


Deborah Furtado • 24 de abril de 2014 •
Fonte: Escrito por Lígia Guerra, conheça mais do seu trabalho na sua Fan Page

quinta-feira, 24 de março de 2016

A história do maculelê





O maculelê é uma das manifestações que compõe a gama de atividade praticadas tradicionalmente em conjunto com a capoeira. Mais do que isso, é considerado pelos capoeiristas  como parte da capoeira.
Ao longo do tempo, várias foram as explicações, entre lendas e fatos reais, dadas para explicar o seu surgimento.
A lenda mais conhecida relata que em uma tribo africana havia um rei (o rei Maculelê) que após beber demais teve sua tribo atacada por uma tribo inimiga, justamente quando os homens e guerreiros da tribo haviam saído para caçar. Incapaz de defender as mulheres, crianças e idosos o rei acabou por ser assassinado junto a eles. De volta ao local, os homens e guerreiros encontraram o cenário desolador.
O curandeiro da tribo, no entanto, deu ao rei uma nova dose da mesma bebida (a famosa jurema, feita com a raiz da árvore de mesmo nome, sagrada entre os índigenas do nordeste) que o havia embriagado antes do ocorrido e o mesmo surpreendentemente ressuscitou. Vendo então a desgraça de seu povo, o rei Maculelê jura vingança e junto a seus guerreiros ataca e derrota a tribo inimiga, munido apenas de bastões de madeira.
A lenda mostra a intensa miscigenação entre as culturas no Brasil. Uma tribo africana e uma bebida sagrada entre os índios. Provavelmente, em seu surgimento essa lenda não citasse especificamente a jurema, uma vez que essa bebida não vem da África, mas outra bebida que durante a miscigenação cultural foi substituída pela jurema, tão popular no nordeste.
Outras versões dessa lenda existem, mas quase todas são muito parecidas.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

A Lenda do Carnaval dos Infernos




A Amazônia é uma região rica em mitos e lendas, e incrustados no meio da floresta existem varias cidades que se misturam em meio ao mosaico verde, as pessoas convivem diretamente com a natureza e com ela aprendem a viver em meio a acontecimentos fantásticos, para muitos isso não passam de estórias, para mim se trata de um patrimônio cultural.

Essa estória que vou lhes relatar vem de
 São Paulo de Olivença, município do estado do Amazonas próximo à fronteira com a Colômbia e o Peru. 

Conta-se que ha alguns anos, na verdade já se vão algumas décadas desde o suposto acontecimento, uma cidade de origem religiosa muito forte, pois sua origem é a de um aldeamento catequético. Como toda cidade da Amazônia ela se vê prisioneira das distâncias, e por isso ela mantém muitos costumes que permeiam a vida de todos, como a tradição de toda família ir à igreja...

Tudo ocorria na sua tediosa rotina, quando chegou a festa pagã mais famosa do Brasil, o carnaval, nesta oportunidade o pároco da cidade que era linha dura e queria moralizar a cidade novamente que passava por muitas mudanças, principalmente problemas relacionados ao álcool, e nesta ocasião ele foi implacável com os fieis para que comparecesse a suas missas que ele ia celebrar nos dias de carnaval, a população se viu em uma situação complicada, parecia que sua tradição religiosa iria prevalecer, contudo para surpresa do pároco a população simplesmente desapareceu das celebrações, apenas alguns poucos apareceram e isso causou a ira do padre, que não se controlou e rogou uma
 praga, "esse pessoal burro, preferiu o diabo a Deus, então eles que comemorem com o diabo”.

As pessoas que ouviram ficaram assustadas, mas passado à situação eles se recolheram as suas casas. 
A festa ocorria no estilo de rua, muita bebida e outras delicias terrenas, o foco principal da festa acontecia na praça da matriz, que fica em frente à igreja, a festa já ia madrugada a dentro, quando eram por volta das 03h00min da manhã quando o inusitado se não aterrador aconteceu, não apenas uma pessoa, mas sim dezenas de pessoas viram nada mais, nada menos que o Capeta dançando e soltando fogo pelas ventas em meio a fuzarca!

O pânico tomou conta da multidão e o tumulto estava formado, a festa acabara de uma maneira sinistra, nas outras noites a festa continuou, mas com muito menos pessoas a maioria foi para a igreja.

Essa estória correu como o vento e ficou famosa, mas com o tempo caiu no esquecimento, agora eu lhes relato, não lhes afirmo que  essa estória realmente aconteceu, mas sei que aqui na Amazônia acontecem coisas que desafiam a realidade...


Lenda enviada por Bruno El anjo
FONTE:http://www.assombrado.com.br/2014/02/a-lenda-do-carnaval-dos-infernos.html


domingo, 3 de janeiro de 2016

Como somos carentes!



Como somos carentes!
 Na minha juventude, como líder do grupo de Jovens TESTAC, da igreja católica aqui do bairro, detectamos o problema: Éramos um povo sem expectativa.
Não tínhamos diversão, pontos de encontro ou mesmo um clube.
Esporadicamente tínhamos  baile no bar do Ênio ou então no grupo escolar e aos domingos, sem ter uma televisão com programação decente, acorríamos para o campo de futebol para torcer e vibrar pelo nosso time de futebol e mais nada.
Mesmo assim era tão bom, não existia violência, nossos maiores delinquentes eram os ladrões de galinha e os COMUNISTAS comedores de crianças. Tiraram nosso campo de futebol, a Roça grande cresceu e com isso houve a miscigenação social, misturando o pacato nativo com o imigrante cheio de vícios. Tirara-nos o campo de futebol, o trem suburbano os poucos lagos que tínhamos foram contaminados e assoreados, o catolicismo não era mais a religião predominante no bairro, os milagres de Santo Antonio começaram a ser questionados e nossos sacerdotes que a principio eram considerados representante de Deus aqui na terra, começaram a ser desrespeitados e a ponto de sofrerem violências inimagináveis há décadas atrás.
A Roça grande cresceu, inchou , tornou se uns amontoados de casas com pouca infra estrutura, a condição social ainda pendenga, vivendo de renda exterior, pois não temos como gerir rendas. Nossos jovens sem alternativa de trabalho u lazer enveredam para o submundo social e se encontram num cemitério ou num fedida cela de uma delegacia de policia. É lamentável ouvir todo o final de um feriado ou mesmo final de semana que um jovem foi morto, é a nossa força produtiva  sendo destruída e  deixando um espaço vago no nosso futuro.
Muros e cercas elétricas são levantados para deter a avalanche de marginalidade que cresce aos olhos impassíveis de nossas autoridades, as ruas depois das vinte horas são reservadas aos corajosos que não temem pela sua segurança.
Esse paradigma foi quebrado nesse final e princípio de ano com a vinda do jornalista/metalúrgico da cidade de Mogi das Cruzes que com o trenzinho por ele confeccionado iluminou a nossa terrinha, fazendo o mais temeroso nativo, se arriscassem a sair de sua casa e passear por longos três minutos no “TRENZINHO AZUL”. Nesses três dias de sonhos  , o TRENZINHO AZUL” fez vinte e cinco viagens transportando aproximadamente quatrocentos passageiros diário, com segurança e gratuidade.
Acredite tudo feito em perfeita ordem e colaboração da comunidade, onde o pai desta ideia magnífica é o Sr Jose Paulo Fernandes, que anda pelo Brasil injetando o sonho nostálgico de
Mostrar aos brasileiros o gostinho doce de viajar sobre trilhos.

Obrigado Jose Paulo Fernandes , pelo sonho proporcionado



segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Vou dar nome aos bois

O polemico caso do "Zé da Grota"

Ah que saudade de minha infância, na rua Santana  aqui neste bairro  que  eu amo!
Das brincadeiras infantis á roda de conversa ao pé da fogueira.
Dos cantos e causos que povoavam a nossa fértil mente.
Desta vez vou contar um  estranho caso que o vizinho Zé ferreira contou e  que me deixou de  boca aberta.
Conta esse   senhor que  o amigo de infância o Zé da Grota, tinha o saudável costume de se levantar as quatro horas da manhã para cuidar do pasto e ordenhar as vacas do sitio de  sô Antonio do Mato.
Caboclo forte e destemido  “Zé da grota” era o exemplo de peão dedicado e leal, homem verdadeiro odiava loroteiro e mentiroso , falava que o homem tinha que ter uma palavra: sim , sim  e não , não  o resto era  coisa do tinhoso!
Um belo dia de natal  , estava o Zè admirando o céu natalino quando notou entre as estrelas, uma que vagarosamente vagava sob a abóbada celeste, tão devagar que dava a impressão que descia  para terra...
Mas num era que ela estava descendo mesmo ? O que poderia ser?
Destemido o caboclo da roça  se armou de uma foice e resolveu ver o que poderia ser aquilo.
Medo de assombração não tinha,  homem que já tinha bulido com o lobisomem , não teria medo de uma luz estranha.
Bravura era seu nome, mas cautela era sua  determinação.
Pé ante pé caminhou para onde a luz havia  parado e espantado viu um estranho objeto de dimensões enorme que  estava roubando os bois do seu patrão.
Os animais como se fosse comandado por uma voz, caminhava serenamente para dentro daquela luz e eram tragado para dentro.
Desesperado  o nativo da  Roça grande, tentou afugentar a luz e impedir que a subtração dos pertences de seu patrão se  consumasse, quando foi atingido por uma luz que o fez perder os sentidos.


No dia seguinte ele foi encontrado nu e em cima  do estábulo  com o corpo  chamuscado.
Encaminhado  ao medico , ficou muito tempo em delírio e repetindo sempre:”Vou da nome aos bois” e começa a recitar os nomes dos bovinos que a  estranha luz levara.
Até hoje não se sabe que fim tomou os animais do Antonio do Mato e o corajoso Zé da Grota morreu anos depois, triste e traumatizado com esse fato.
Era triste  ver o caboclo sentado combalidamente na soleira da porta de sua casa repetindo a cantilena: Vou dar nome aos bois! Barrão, pintado , vagaroso , Betânia, juízo,marreta..
Assim passava o dia. Todos já estavam acostumado a essa Pizarrize  do Zé.
Até que um dia não se ouviu os  nomes  dos bois, foram ver o que tinha acontecido e descobriram que a voz do caboclo se calara para sempre.