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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Descobri que vou morrer!



È assustador, mas essa manhã  vendo a chuva cair  pela janela do apartamento onde moro  cai nessa realidade.
As chuva escorria pelo ralo do  terreiro e não voltava , como não volta mais todos os meus atos lúcidos e insanos . Deveria  mesmo mudar alguma coisa ou  me arrepender do que não fiz.
Sim. Deveria mandar catar latinha quem me restringiu na moralidade, mandar  plantar batata quem  me disse que eu não deveria andar nu em plena praça da liberdade.
E pensar que quantas vezes  condenei os  loucos. Eles estavam certo  , vivem a vida do melhor jeito . Sem lenço e sem documento.
Brigar por  coisa que não irei levar para  o outro lado.
Quantas vezes queria gritar para o mundo que a  você é minha amada. Mas e o medo de perturbar?
Mas estava sendo perturbado, cerceado, escravizado.
E agora? Descobri que não sou imortal. Mas será que só eu acreditava que seria imortal?
Porque tanta ganância, tanta soberba, tanto orgulho e discriminação. Se no final das contas tudo aqui ficará?
Pra que ter. Se o ser  sempre foi essencial?
O câncer domina o mundo. Deve ser  por causa de  um stress constante . A fome de ter,sem se conter.
Tenho isso, tenho aquilo  , mas  não tenho o amor dos meus.
Tenho amigos de minhas posses e não pelo que sou.
O cardeal D. Serafim  foi muito feliz quando disse que caixão não tem  gaveta.
Portanto  diante desta certeza que  transcenderei , resta me preparar meu legado de amizade e obras para a posteridade.
Mas como não percebi essa certeza. Meu Deus , eu vou morrer!


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