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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Nos corredores do sanatório Dom Bosco.





Muito se comenta sobre casos ocorrido no interior do ex sanatório para tuberculoso , mantido pela RFFSA ( Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima ).
Vizinho viam nas madrugadas .Um padre de estatura mediana , andar toda a extensão da Rua Santo Antonio , arrastando um caixão . Outros moradores viam  verdadeiras procissões de pessoas desconhecida , subir e descer a rua e desaparecer repentinamente.
O  caso que relato agora aconteceu na década de setenta e foi presenciado por minha mãe Terezinha  e sua colega de serviço D. Aparecida .
As duas trabalhavam na cozinha do sanatório e foi com alegria que viram adentrar ao refeitório  Miriam , uma interna  que há muito estava em tratamento de   tuberculose .
Bom dia senhoras . vim me despedir !
Que bom .-Jubilou minha mãe . Você esta curada ?
- Sim . Graça ao bom Deus eu estou liberta deste mal. Estou indo embora e não  poderia deixar de lhes agradecer , pela dedicação e carinho a mim atribuído .
- Que isso menina ! Essa é nossa obrigação .Jubilou as duas funcionárias . Quer um leite?
-Não .Quero pedir um ultimo favor .
Vou embora ,mas não verei mais minha  irmã Débora. Diga a ela que eu a amo muito e vou estar sempre ao lado dela. Marcos é um bom marido e  que ela tenha um pouco mais de paciência com ele.
Diga ao papai para ter paciência com o Marcos e que os amo muito. Mamãe esta la no quarto me esperando, Um abraço e até um  dia .
Minha mãe e D . Aparecida ficaram espantada com a total recuperação de Miriam e mais ainda não entenderam por que ela ia embora sem esperar seus familiares .
Comentaram o fato e voltaram para seus afazeres normais.
Tia Rita de Assis , que trabalhava na lavanderia do centro de tratamento adentrou  o refeitório. Estava tensa .
Aparecida me arruma uma xícara de chá. –Pediu
Foi prontamente atendida .
Tomando o chá. Comentou que a tarde teria que entregar as roupas da paciente que havia falecido pela manhã, desinfetá-la e entregar para a família.
O corpo já tinha sido encaminhado para o necrotério e o Dr.Jose Raimundo estava preparando o relatório.
Comentou ainda que todos estavam consternado pois a paciente que morrerá era a mais carismática e simples , todos gostavam dela.
Sem atinar pelo que estava acontecendo , minha mãe comentou: É a vida uns curam outro se vão...mas estamos feliz por que A Mirinha já esta curada e vai embora né.
Claro que ela esta curada ,né Terezinha –ironizou tia Rita . Foi ela que morreu.
Foi necessário amparar minha mãe que tomou um enorme susto. Chamou Aparecida e ambas contaram a Rita o que sucedera.
O fato foi comentado em toda a instituição  e quando  os familiares chegaram .
As funcionárias compareceram á presença do pai e irmã de Miriam.
Ficaram sabendo que a mãe da enferma tinha morrido há muito tempo e por causa desta perda , não se cuidou chegando ao mal que a levara para o outro lado da vida.
Jose Bonifácio, pai de Miriam, constatou que as funcionário do sanatório não estavam mentindo ou inventando coisa, pois este pormenor ninguém poderia saber , pois ele morava em Santos Dumont cidade vários quilômetros de Sabará e realmente não tinha uma relação amistosa com o filho .
Ao ver o corpo de Mirian no necrotério sua feições antes pálida estava corada , e um ar de  conforto habitava em seu semblante.
Estava com sua mãe certamente, a caminho de uma paz em comunhão com Deus.




retirado do livro "O FOLCLORE NA TERRA DE SANTO ANTÔNIO"  do mesmo autor do livro "A ROÇA CONTA UM CONTO"

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