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domingo, 15 de dezembro de 2013

História de Sabará – Como tudo começou



Cleber Paes


Tão logo os portugueses chegaram ao Brasil, em 1500, e começaram tímidas expedições explorando o território. Já em 1503 Américo Vespúcio organizou a primeira incursão conhecida, partindo da cidade de Cabo Frio, no Estado do Rio de Janeiro. Depois disso várias outras se sucederam, aumentando a frequência no decorrer dos tempos. Em Sabara não se sabe ao certo quando os primeiros exploradores alcançaram a região. Mas segundo o historiador Zoroastro Viana Passos, esta data teria sido 1550 ou até antes.

Mas essa linha não é a mais citada e sim o desbravamento da “bandeira” de Fernão Dias e depois do seu genro Borba Gato considerado como o fundador de Sabará.

Inicio Caça as Esmeraldas

FERNÃO DIAS PAES LEME


Em 1665, surge o apelo de D Afonso VI para que Fernão Dias partisse em busca de metais e pedras preciosas, e depois, em 1672, a missiva de D. Pedro II encarregando-o de achar as tais minas. Recebeu a nomeação oficial .Além de honras, a Corte promete-lhe ajuda financeira para colocar de pé sua expedição. Oferta jamais cumprida…

Fernão prepara sozinho, e durante três anos, a sua bandeira. Junta brancos, índios e mamelucos. Tem no total 674 homens dispostos a dar a vida pelo sonho. Em julho de 1674 parte em direção às cabeceiras do rio da Velha, atravessando a serra da Mantiqueira na região de Atibaia e Camanducaia. Desbravar matas, domar selvagens, enfrentar a ira das tempestades ou o inferno dos dias de verão.

Matias Cardoso e Bartolomeu da Cunha Gago já estão no caminho com suas tropas.Na trajetória que seguem, os bandeirantes vão deixando marcas definitivas: criam entrepostos comerciais, atraem povoações de outras paragens, levam vida a longínquos vilarejos.

Na Serra de Sabarabuçu exige de seus homens esforço redobrado. Ainda no começo do século, Marcos Azevedo afirmara ter encontrado esmeraldas naquela região. Mas morreu na prisão, recusando-se a revelar a rota para a mina.

Agora, confiam-lhe a missão de descobri-la. Está determinado a não desapontar. Sente que sua obstinação assusta e que às vezes até causa horror. Assume-se, jamais irá desviar-se das suas metas.

A terra é ingrata, nem sequer dá pistas do tesouro. Sob a ordem de Fernão os bandeirantes persistem. Tocam as entranhas do sertão. Vasculham, pedaço a pedaço reviram o chão que vão trilhando.

Mas cansados ficam seus homens. Má alimentação. Corpos fracos e mentes contaminadas pela ideia do fracasso. Muitos deles não resistem. Vão ficando pelas águas dos rios e veredas das serras, vítimas de epidemias ou de ataques dos selvagens. Também falta munição. Está difícil prosseguir. Insiste, exorciza o fantasma da renúncia que paira sobre a tropa. Despreza a covardia. Fareja a fortuna. Que os fracos confiem ao menos no instinto dos fortes, vocifera.

A conspiração contra Fernão Dias

Sorrateiro, alertado pela uma índia Fernão Dias encaminha-se para o local onde se encontram os conspiradores. Treme e seus olhos parecem querer saltar diante do que vê: amigos chegados defendem sua morte como único meio de pôr fim ao que chamam busca desvairada.

Na manhã seguinte dá ordem de prisão aos traidores. Para o líder da conspiração reserva castigo capital: a forca. O enforcado é o filho mameluco José Dias Pais de Fernão .

Morte de Fernão Dias


Em 1681. Comoção coletiva. Pedras, uma jazida delas, verde faiscante! É a recompensa pelos sete anos de investidas no sertão.

Doente, a barba toda branca cobrindo o rosto marcado pelos 73 anos, Fernão já não conserva sua rigidez. Aproxima-se do seu tesouro, toca-lhe. Ergue um punhado de pedras:

- Eis a prova de que estávamos certos, brada.

Em seguida, encarrega o sobrinho, Francisco Ribeiro, de levar a notícia a São Paulo:

- Leve algumas esmeraldas, para que não haja dúvidas.

De volta ao arraial do Sumidouro sente-se cansado e pede para ser deixado só. Permanece absorto por algumas horas até que se surpreende banhado em suor às margens do rio das Velhas. Volta a agarrar suas pedras, antecipa:

- Agora já posso morrer.

Missão de Borba Gato



Chove com violência e a canoa que transporta para São Paulo o corpo embalsamado do bandeirante vira ao atravessar o rio das Velhas. Os homens mergulham dia e noite a sua procura. Em vão.

Chega ao arraial o comissário das minas de D. Pedro II. Acirra-se a disputa pelas jazidas. Rodrigo de Castel Blanco, perito em pedras e metais preciosos, antes mesmo de avaliar o valor da descoberta, toma o comando da bandeira e recusa-se a entregar a fortuna a família de Fernão. Mulher, cinco filhas solteiras e ainda cinco sobrinhas órfãs, são deixadas na miséria. Todos os bens tinham sido empenhados para dar prosseguimento abandeira.

Borba Gato faz frente a ganância do fidalgo espanhol. No confronto, o genro de Fernão não hesita: atira o representante da Corte penhasco abaixo.

Foge das autoridades portuguesas, segue os rastos deixados pelo sogro e leva por diante a sua missão.

Borba Gato teria explorado as minas do Rio das Velhas que se situam no arraial de Santo Antônio da Mouraria, hoje simplesmente Arraial Velho. Contestada tenha sido Borba Gato o descobridor das paragens do Sabarabuçu”, de limites imprecisos, não lhe é negada a glória, porém, como fundador de Sabará.


Estatua Borba Gato em Sabará

Ele e seus homens fundaram numerosos arraiais, dos quais apenas dois podem ser indicados com certeza: o atual Santana do Paraopeba e o de Sumidouro (do rio das Velhas). Mas se especula, com base em manuscrito de Pedro Dias Pais Leme, marquês de Quixeramobim, seu neto, que tal expedição tinha como outros postos ou celeiros os lugares onde nasceriam os arraiais de Vituruna ou Ibituruna (“serra negra”), Roça Grande, Tucambira ou Itacambira, Itamarandiba, Esmeraldas, Mata das Pedrarias e Serra Fria – escalas de roteiro e localidades que serviram às expedições posteriores e que se tornaram povoados.

“Não registra a História, com justeza, a data da fundação do arraial. Todavia, admitindo-se tenha sido Manoel de Borba Gato seu fundador, essa data estará entre 1672 e 1678”. A escritora Lúcia Machado de Almeida, em seu trabalho “Passeio a Sabará”, indica para o acontecimento o ano de 1674. O certo é que o arraial desenvolveu-se e progrediu rapidamente, e, em 17 de julho de 1711, era elevado a categoria de Vila Real de Nossa Senhora da Conceição de Sabarabuçu.

Por Carta régia de 1714, quando a Capitania de Minas foi dividida em 4 grandes comarcas, foi a Vila Real indicada para sede da comarca de Vila Real de Sabará, compreendendo o termo de Vila Nova da Rainha, hoje Caeté. A Vila foi crescendo, enchendo-se de homens ambicioso, aventureiros e potentados. A produção de ouro era enorme, sendo Sabará um dos núcleos de mineração da província que mais ouro encaminhava a Coroa portuguesa.

Casa da Intendência ou Casa da Fundição atualmente Museu do Ouro de Sabará

“Tão intensa fez instalar em Sabará a Casa da Intendência ou Casa da Fundição, para cobrança do quinto”.

Era o apogeu. Era a opulência. Eram os barões, militares e senhores de minas, mandando educar seus filhos na Europa; vivendo em mansões, verdadeiros palácios da época, com móveis ao estilo europeu, com liteiras e pagens. Na cidade havia um dos maiores contigentes de escravos de então. Testemunhas vivas dessa época de fausto e riqueza são as centenárias obras arquitetônicas de Sabará.

“Foi sempre tão marcante a importância e o prestígio de Sabará, que D. Pedro I, a 24 de fevereiro de 1823, nos primórdios do Império, concedia-lhe o nobilitante título de “Fidelíssima”.

Sabará teve dias de esplendor, de honraria e de riqueza. Sucederam-se, todavia, dias de decadência e de regresso, dias alegres e dias sombrios.

Origem do Nome

Durante vários anos o nome foi Vila Real de Nossa Senhora da Conceição de Sabarabussu ou simplesmente Vila Real. A origem da palavra Sabará tem duas versões: segundo Theodoro Sampaio: “Sabará – antigo Tabará, de que se fez Tabaraboçú, como se vêem em documentos. Tabará é a forma contratada de Itaberaba, Itaberaba ou Ita-beraba, a pedra reluzente, o cristal. Sabaraboçu, antigo Tabaraboçu, corrupção de Ita-beraba-uçu, que significa pedra reluzente grande, que também se entende como serra resplandescente”. A outra, versão, de acordo com a “História Antiga de Minas Gerais”, confirma por Zoroastro Passos, baseia-se no fato de “os indígenas, fingindo que os rios maiores eram pais dos pequenos ou seus afluentes, chamavam o rio das Velhas, que era da barra para baixo, pai (cuba), e da barra para cima, çubara (pai partido). E assim chamavam Çubará-boçú ao braço maior (pai partido grande); e ao menor Çubará-mirim. Posteriormente aquele ficou chamado rio das Velhas (por causa de duas velhas que nele se banhavam) e este simplesmente Sabará.
                 Bandeira de Sabara



Formação Administrativa

Distrito criado com a denominação de Sabará, pelo alvará, de 16-02-1724, lei estadual

nº 2, de 14-09-1891.

Elevada categoria de vila com a denominação de Sabará, em 17-07-1711, confirmada

pela provisão de 09-01-1715. sede na antiga povoação Sabará. Constituído de 3 distritos:

Sabará, Lapa e Raposos. Instalada em 19-07-1711.

Elevado condição de cidade com a denominação de Sabará, pela lei provincial n° 93,

de 06-06-1838.

Pela lei provincial nº 725, de 16-05-1855, e lei estadual nº 2, de 14-09-1891, é criado o

distrito de Lapa e anexado ao município de Sabará.

Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o município é constituído de 3

distritos: Sabará, Lapa e Raposos.

Pela lei estadual nº 843, de 07-09-1923, Sabará adquiriu do município de Caeté o

distrito de Cuibá.

Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o município é constituído de 4

distritos: Sabará, Cuibá, Lapa e Raposos.

Assim permanecendo em divisões territoriais datadas de 31-XII-1936 e 31-XII-1937.

Pelo decreto-lei estadual nº 148, de 17-12-1938, transfere os distritos Lapa do

município de Sabará para Santa Luzia e Raposos para o de Nova Lima. Sob a mesma lei

Sabará adquiriu do município de Belo Horizonte o distrito de Marzagão. No quadro fixado para vigorar no período de 1939-1943, o município é constituído de

3 distritos: Sabará, Cuibá e Marzagão.

Pelo decreto-lei estadual nº 1058, de 12-12-1943, o distrito de Marzagão tomou o

nome de Marzagânia e Cuiabá a chamar-se Mestre Caetano.

Em divisão territorial datada de 1-VII-1950, o município é constituído de 3 distritos:

Sabará, Mestre Caetano (ex-Cuibá) e Marzagânia (ex-Marzagão).

Pela lei nº 1039, de 12-12-1953, Sabará adquiriu do município de Santa Luzia o

distrito de Ravena (ex-Lapa).

Em divisão territorial datada de 1-VII-1955, o município é constituído de 4 distritos:

Sabará, Mestre Caetano, Marzagânia e Ravena.

Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1-VII-1960.

Pela lei estadual nº , de o distrito de Marzagânia tomou o nome de

Carvalho de Brito

Em divisão territorial datada de 31-XII-1963, o município é constituído de 4 distritos:

Sabará, Carvalho de Brito (ex-Marzagânia), Mestre Caetano e Ravena.

Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2007.

Créditos: Mirna Queiroz



Fonte: Enciclopédia dos Municípios Brasileiros – Volume XXVII ano 1959.

http://site-iconsousabara.com.br/historia/historia-de-sabara-como-tudo-comecou
site-iconsousabara.com.b

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